Cada vez mais, temos mais sobreviventes de câncer após os tratamentos oncológicos. Infelizmente, às vezes a sobrevivência pode vir acompanhada de dor. Muitas pessoas não sentem qualquer dor após o tratamento de câncer, mas algumas podem desenvolver dor crônica, incômoda. A dor persistente lembra o paciente de seu câncer cada vez que ele executa uma tarefa diária, como escrever uma lista de compras, preparar uma refeição, arrumar uma cama…

“Mas em alguns casos, a dor pode ser tão grave que impede as pessoas de desfrutarem a vida que lutaram tão  arduamente para preservar. Felizmente, os sobreviventes de câncer que desenvolveram dor podem encontrar alívio. Em um artigo publicado no Journal of Clinical Oncology, pesquisadores descrevem maneiras de combater a dor após o tratamento do câncer”, explica o neurocirurgião Victor Barboza, que também é especialista em dor.

Dor pós-câncer: saiba mais…

Há muitas maneiras de tratar a dor pós-câncer. A intenção do artigo é educar os profissionais de saúde que estão vendo pacientes desenvolver dores crônicas após a cura do câncer. “A conscientização de que os sobreviventes de câncer podem ter dor crônica após o tratamento irá orientar mais pessoas a procurar ajuda. Uma maior consciência sobre o tema vai estimular oncologistas, entidades de pacientes e outros profissionais de saúde  a trabalharem  juntos visando auxiliar o sobrevivente de câncer que precisa de ajuda para gerenciar a dor. Precisamos ajudar os sobreviventes de câncer a serem funcionais, participantes ativos de suas vidas pós-tratamento”, defende o médico.

Sobreviventes de câncer podem ter “dor de cirurgia”, especialmente se o cirurgião teve que cortar os nervos para remover o tumor. Por exemplo, as mulheres submetidas a uma lumpectomia ou a uma mastectomia podem sentir uma dor lancinante ou ardor na parede torácica. Muitos pacientes com câncer de cabeça ou pescoço também podem ter dor após a cirurgia se precisarem de cirurgia no pescoço para remover os gânglios linfáticos. A dor pode persistir anos após a cirurgia.

“Sobreviventes de câncer também pode ter dor em função dos  medicamentos empregados na quimioterapia. Algumas quimioterapias são tóxicas para os nervos. Com o tempo, há danos cumulativos nos nervos nos dedos das mãos e dos pés. As pessoas podem ter queimaduras crônicas, dormência ou desconforto”, explica Victor Barboza.

Além de danos nos nervos, sobreviventes de câncer também pode ter linfedema, o inchaço doloroso que resulta quando o líquido se acumula nos tecidos onde não deveria. A drenagem linfática muda quando o cirurgião remove os gânglios linfáticos juntamente com o tumor. Os gânglios linfáticos podem não drenar como costumavam fazer. E os sobreviventes de câncer também podem ter dor ou problemas para mover partes do corpo que foram cortadas para remover um tumor.

Tratando a dor pós-câncer

O artigo descreve muitos métodos diferentes para combater a dor, como por exemplo, pacientes que precisam usar drogas opiáceas como a morfina ou a oxicodona, que em muitos pacientes apresentam efeitos colaterais insuportáveis, podem ser orientados por especialistas em dor crônica  a usar estratégias não-opioides, como acupuntura, fisioterapia ou terapia cognitivo-comportamental para controlar a dor. Os pesquisadores prescrevem fisioterapia para aliviar a dor e o linfedema após a cirurgia e o tratamento de radiação. Recomendam também massagem e acupuntura quando necessário.

Segundo os autores do artigo, para a maioria dos pacientes oncológicos, a dor diminui nos primeiros dois anos após o final do tratamento de câncer. Para alguns, porém, a dor persiste e pode ser muito grave. “Nesses casos de dor crônica e persistente é importante que as pessoas em remissão sejam orientadas a procurar um especialista em dor. Se a dor é realmente complexa, esses pacientes precisam de atendimento multidisciplinar: médicos especializados em dor, fisioterapeutas e psicólogos, dentre muitos”, explica o especialista em dor.

“A dor torna as pessoas menos funcionais. As pessoas precisam saber pedir ajuda se tiverem dor crônica após o câncer. Elas precisam saber que existem muitas maneiras diferentes de lidar com a dor. Só porque o câncer se foi não significa que o paciente vai estar 100% do jeito que estava antes de ser tratado. Os sobreviventes não devem sofrer em silêncio”, destaca o neurocirurgião.

Aliviando a dor dos sobreviventes de câncer
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