Pacientes que sofrem de distonia, um transtorno de movimento incomum e potencialmente incapacitante, obtêm melhores resultados quando começam  a terapia de estimulação cerebral profunda mais cedo, de acordo com um estudo publicado no Journal of Neurology.

“Os dados sugerem que os pacientes que iniciam o tratamento mais cedo no processo da doença podem esperar um melhor resultado geral do que aqueles com maior duração da doença. Além disso, a idade, no momento da cirurgia, parece influenciar o tempo necessário para alcançar a melhor resposta clínica, indicando que os idosos precisam de mais tempo para  atingir seu benefício potencial”, explica o neurocirurgião Victor Barboza.

O que é a distonia?

A distonia faz com que os músculos se contraiam, com a parte do corpo afetada se contorcendo involuntariamente e os sintomas variando de leve a grave. A Food and Drug Administration aprovou a estimulação cerebral profunda como uma terapia para certas distonias resistentes ao tratamento, em 2003, após aprová-la para tremor essencial, em 1997, e doença de Parkinson, em 2002. O procedimento recentemente foi aprovado, em uma base limitada, para o tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo.

Segundo os autores do estudo, eles já sabiam que os pacientes mais jovens, com menor duração da doença, tinham melhores resultados clínicos no curto prazo. O estudo atual prova que os resultados são melhores, a longo prazo, também. “O estudo mostrou que a idade e a duração da doença desempenham papéis complementares na previsão de um bom prognóstico para os pacientes mais velhos, e que, embora eles possam não ter os ganhos rápidos dos pacientes mais jovens, seus sintomas podem melhorar gradualmente, ao longo de vários anos”, diz Victor Barboza.

O estudo envolveu 44 pacientes com distonia generalizada com idades entre 10 e 59 anos, com ponto médio de 31 anos. A duração da doença variou de dois a 42 anos, com um ponto médio de 15 anos. Houve três grupos principais de pacientes cujos registros médicos foram analisados:

  • Aqueles com menos de 27 anos e que tinham sofrido de distonia por menos de 17 anos (17 pacientes);
  • Aqueles com mais de 27 anos, mas que tinham sofrido por menos de 17 anos (oito pacientes);
  • Aqueles com mais de 27 anos e que tinham sofrido com a doença por mais de 17 anos (19 pacientes).

Os pacientes foram avaliados em uma escala padrão de classificação de distonia em três intervalos: após o início do tratamento (linha de base) e em um e três anos. Os resultados específicos incluíram:

  • Todos os pacientes experimentaram melhora geral da função motora – capacidade de controlar músculos e movimentos – após a cirurgia e a ativação do dispositivo. Todas as avaliações de regiões individuais do corpo ou funções como fala (sub-pontuação) melhoraram significativamente em um ano. Mais ganhos foram observados em três anos;
  • Os resultados globais de três doentes diminuíram, com piora ligeira de alguns sintomas entre os anos um e três;
  • Cinco pacientes tiveram algumas sub-pontuações piores no terceiro ano, mas continuaram mostrando melhora global e não retornaram aos seus níveis de comprometimento pré-tratamento;
  • Pacientes com mais de 27 anos, no momento da cirurgia, mostraram uma melhora média de 10%, no período de um a três anos de tratamento;
  • Trinta e dois pacientes estavam tomando medicamentos prescritos antes da cirurgia, mas este número diminuiu 52% no primeiro ano e 80% no terceiro ano.

Saiba mais

“O dispositivo de estimulação consiste em implantar condutores elétricos no cérebro e um gerador de pulso elétrico localizado próximo à clavícula. O estimulador é programado por um controlador remoto, portátil, para modular os sinais nervosos anormais que causam as contrações musculares descontroladas da distonia”, explica o neurocirurgião.

A distonia é menos comum do que a doença de Parkinson – e tem sido mais que um mistério médico, mesmo entre muitos especialistas em distúrbios do movimento. “A correta colocação cirúrgica do dispositivo de estimulação e a programação precisa e individualizada são essenciais para o sucesso do tratamento. Muitos casos de terapia aparentemente falhos podem ser corrigidos através do aperfeiçoamento especializado do dispositivo juntamente com o gerenciamento da medicação”, diz Victor Barboza.

Distonia: terapia cerebral oferece bons resultados
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