Cientistas da Universidade de Exeter desenvolveram uma técnica pioneira que pode revolucionar o tratamento cirúrgico da epilepsia. A equipe de cientistas, liderada por Marc Goodfellow e por John Terry, desenvolveu um método inovador que pode identificar as regiões específicas do cérebro que desencadeiam convulsões em pessoas com epilepsia.

A nova técnica foi projetada para ajudar neurocirurgiões e neurologistas a medir a ocorrência das convulsões nas diferentes regiões cerebrais para assim determinar as regiões do cérebro que podem ser removidas em maior benefício para o indivíduo com epilepsia. A pesquisa foi publicada na revista científica, Scientific Reports.

Atualmente, as pessoas com epilepsia são tratadas inicialmente com o emprego de medicamentos, que visam reduzir ou acabar com as convulsões. O tratamento da epilepsia é realizado por meio de medicamentos, geralmente depois da segunda crise (ou depois de uma crise, quando houver grande probabilidade de ocorrer outra), a fim de diminuir as anormalidades impulsos elétricos cerebrais e, consequentemente, bloquear as crises. No entanto, os medicamentos não corrigem os danos neurológicos existentes. A escolha da medicação é individualizada, feita a partir das necessidades e características de cada paciente. No entanto, as drogas antiepilépticas podem ser ineficazes em cerca de um terço das pessoas.

“Nestes casos, os pacientes podem optar por serem submetidos à cirurgia para remover pequenas partes do cérebro – o que não afeta a função cerebral saudável – que podem ajudar a reduzir as chances de novas convulsões. A cirurgia não deve trazer danos ao paciente:  como mudanças na personalidade e alterações em funções. O resultado da cirurgia pode variar de acordo com o tipo de lesão de cada paciente”, explica o neurocirurgião Victor Barboza.

Entenda a nova pesquisa

Há muito, os pesquisadores vem registrando a atividade elétrica da superfície do cérebro e estudando os ritmos elétricos para tentar identificar as regiões do cérebro onde as convulsões começam. No entanto, as abordagens atuais eram apenas parcialmente eficazes, com cerca de 50% das pessoas com epilepsia extratemporais vendo melhorias significativas, a longo prazo, após a cirurgia.

O novo método, concebido pelos cientistas de Exeter, utilizou procedimentos de modelagem matemática de última geração, e pode distinguir com mais precisão as regiões cerebrais que são a fonte das convulsões daquelas que se envolvem na atividade cerebral durante uma crise convulsiva.

“A nova pesquisa tem o potencial de melhorar muito as taxas de sucesso cirúrgico para os pacientes com epilepsia que precisam dessa opção terapêutica, contribuindo muito para a melhora na qualidade de vida dessas pessoas. O potencial é verdadeiramente notável, pois o método dá aos neurocirurgiões informações valiosas sobre como diferentes regiões cerebrais contribuem para as crises, permitindo-lhes prever o resultado de diferentes estratégias cirúrgicas e, assim, planejar melhor a cirurgia”, observa Victor Barboza.

A equipe aprimorou o novo método através do estudo das gravações elétricas de uma série de 16 pessoas com epilepsia que foram submetidas à cirurgia para tratar convulsões em uma clínica na Suíça. Eles usaram as leituras de antes da cirurgia para executar o modelo desenvolvido e prever quais áreas produziriam os resultados mais eficazes. Após o procedimento, eles então compararam suas previsões com os resultados reais obtidos através da cirurgia.

Dentre as pessoas que responderam bem à cirurgia, estavam aquelas cujo o bom resultado foi previsto  pelo modelo. Em contraste, as pessoas que não responderam bem à cirurgia, tiveram regiões cerebrais removidas que não estavam entre aquelas previstas pelo  modelo.

Segundo os autores da pesquisa, pela primeira vez, as previsões feitas por um modelo de computador aplicado a gravações cerebrais pré-cirúrgicas puderam ser comparadas com os resultados pós-cirúrgicos de um grupo de pessoas com epilepsia. Foi percebido consenso muito bom entre o resultado previsto pelo modelo com o resultado real obtido através da cirurgia.

“O potencial de aplicabilidade desse modelo para o tratamento futuro é claro. Neurocirurgiões de todo o mundo buscam maneiras mais precisas de identificar exatamente o local do cérebro que deve ser operado em função dos melhores resultados para um indivíduo com epilepsia, para assim melhorar a vida de tantas pessoas que de outra forma teriam que viver com a constante ameaça e a apreensão causada pelas convulsões”, explica o neurocirurgião.

Nova técnica para o tratamento cirúrgico da epilepsia
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