O tratamento de diversas doenças do sistema nervoso central alcançou um enorme avanço com a introdução das técnicas de Estimulação Cerebral Profunda. Casos considerados refratários agora possuem uma nova opção de terapia.

Essas modalidades terapêuticas utilizam os princípios de neuromodulação, que consiste na aplicação de corrente elétrica de baixa intensidade, de forma contínua ou em ciclos, em variadas frequências, de modo que module a atividade de uma determinada estrutura nervosa, de forma inibitória (bloqueando) ou excitatória (estimulando), dependendo do objetivo do tratamento.

Os tratamentos de neuromodulação podem ser realizados de forma não invasiva, ou seja, sem cirurgia, através da pele, ou de forma invasiva, envolvendo um procedimento cirúrgico. Algumas estruturas profundas e pequenas, alvos de alguns tratamentos de neuromodulação, só podem ser atingidas de forma precisa pela via cirúrgica, devido a maior precisão desta técnica.

Esta estimulação é realizada com eletrodos muito finos, que são implantados nos alvos pretendidos, através de pequenos orifícios no crânio. Esta técnica é relativamente simples e amplamente utilizada por neurocirurgiões funcionais no tratamento dos distúrbios do movimento, como a doença de Parkinson e, mais recentemente, em certas formas de Epilepsia e Dor Crônica.

A psicocirurgia no tratamento das doenças psiquiátricas

A Psicocirurgia, isto é, a terapêutica cirúrgica das doenças psiquiátricas é uma das indicações recentes para Estimulação Cerebral Profunda (DBS, em inglês) que tem registrado maior desenvolvimento, mesmo sendo considerada como último recurso.

Atualmente, pacientes com doenças psiquiátricas de gravidade considerável, que não alcançam resultados satisfatórios com o tratamento clínico, estão sendo encaminhados para tratamento cirúrgico de Estimulação Cerebral Profunda (DBS, em inglês).

A indicação da cirurgia depende da regulamentação do conselho regional de medicina do estado onde será realizada. No caso de São Paulo, além do consenso de refratariedade de tratamento clínico entre a equipe de saúde mental que segue o paciente (psiquiatra e psicólogo), o paciente tem que ter esgotado outros tratamentos não-cirúrgicos (como a eletroconvulsoterapia para os casos graves de depressão).

Além disso, será convocada uma equipe pela pelo CREMESP, composta sempre por um neurocirurgião, um neurologista, um psiquiatra e um profissional não médico da área de saúde mental, que não tenha relação com a equipe médica que assiste ao paciente e nem com o próprio paciente, para uma avaliação independente, para confirmar que a cirurgia será o melhor tratamento (http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Jornal&id=1468).

As perturbações psiquiátricas que mais estão sendo beneficiadas pela técnica são o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), a depressão maior refratária e casos de comportamento com agressividade incontrolável, geralmente alcançando uma melhora significativa dos sintomas em cerca de 60% dos casos.

A Neuromodulação no tratamento da depressão refratária

Alguns pacientes com depressão apresentam um quadro refratário, ou seja, não correspondem ao tratamento medicamentoso. Nestes casos, podemos considerar outras opções de tratamento. São elas a neuromodulação não invasiva, a eletroconsulvoterapia e o último degrau nessa escalada de procedimentos, quando nenhum dos anteriores teve uma resposta satisfatória, seria a estimulação cerebral profunda.

Esses procedimentos atuam como um elemento a mais nas abordagens terapêuticas destes pacientes, as demais terapias, medicamentosas e não medicamentosas (como a psicoterapia), continuam tendo um papel imprescindível para a melhora do paciente.

Psicocirurgia – A Neuromodulação Auxiliando o Tratamento de Distúrbios Psiquiátricos
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