Tratamento cirúrgico da epilepsia

A Epilepsia é uma condição neurológica crônica, caracterizada por crises epilépticas, devido a uma descarga elétrica anormal e excessiva de um grupo de neurônios, podendo se manifestar de diferentes formas.

As crises epilépticas

A convulsão é uma crise epiléptica com manifestações motoras, ou seja, contrações da musculatura em várias regiões do corpo, ou somente em grupos musculares específicos, devido a estímulos elétricos originados no cérebro, que chegam a esses grupos musculares.

Também existem crises epilépticas associadas a alterações na região posterior cerebral, com sintomas visuais, auditivos ou sensitivos. Conhecidas como crises de ausência não convulsivas, neste caso não há atividades motoras.

Diagnóstico de epilepsia

É considerado epilepsia quando ocorrem duas ou mais crises epilépticas recorrentes e espontâneas, desde que não provocadas por insultos agudos do Sistema Nervoso Central, como febre, ingestão de álcool, intoxicação por drogas ou abstinência, nem por desequilíbrios tóxico-metabólicos ou outros eventos externos.

O diagnóstico é realizado levando em conta a idade, dados do exame físico e resultados de exames de imagem, como radiografias, tomografias, ressonâncias magnéticas e também do eletroencefalograma.

A epilepsia pode estar relacionada a alterações orgânicas ou funcionais do Sistema Nervoso, causadas por doenças agudas, sequelas de traumatismo craniano, infecções como as meningites, ou eventos que causem baixa de oxigênio cerebral. Também existem casos com provável herança genética.

Tratamento da epilepsia

Inicialmente, o tratamento da epilepsia é medicamentoso, e em 60 a 70% dos pacientes, é suficiente para controlar as crises. Porém, conforme um estudo realizado pela Cooper Medical School of Rowan University, nos Estados Unidos e publicado em fevereiro deste ano, cerca de 30% dos pacientes com epilepsia não apresentam resultados ao tratamento medicamentoso e podem precisar de intervenções cirúrgicas para melhor controle das crises.

Denominada cirurgia ablativa, é realizada a remoção da região cerebral que desencadeia as crises. Um estudo realizado entre janeiro de 1993 e junho de 2014 e publicado na JAMA Psychiatry em janeiro de 2015, analisou dados de mais de 300 pacientes, concluindo que a cirurgia é eficaz para reduzir a atividade de convulsões nestes casos, melhorando também a qualidade de vida após a cirurgia.

Esta cirurgia apresenta resultados benéficos em 50 a 70% dos casos, mas não é indicada para todos os pacientes, deixando ainda uma parte das pessoas com epilepsia sem possibilidade de um tratamento adequado.

Tratamento neuromodulatório

Para os pacientes que não são candidatos ao tratamento cirúrgico de retirada do tecido cerebral doente, ou para aqueles que realizaram a cirurgia e não tiveram resultados satisfatórios, existem os tratamentos cirúrgicos neuromodulatórios. Neste artigo vamos conhecer a modalidade VNS, a Estimulação do nervo vago.

O nervo vago é o maior dos nervos cranianos e possui ação motora e sensitiva. Sua estimulação, entre outras funções, pode ajudar a acalmar, sendo feita até mesmo por médicos na emergência, para regularizar a arritmia cardíaca.

Aprovada em 1997 pelo FDA, a estimulação do nervo vago é indicada para tratamento de pacientes acima de 12 anos com epilepsias parciais, aquelas que são desencadeadas por uma porção específica do cérebro, já que sua resposta é aparentemente melhor neste tipo de crise.

O estudo da Cooper Medical School of Rowan Universitys concluiu que dispositivos de neuroestimulação proporcionaram um melhor controle de convulsões nestes pacientes que não são candidatos à intervenção cirúrgica.

Com a vantagem de ser um método menos invasivo, pois não é necessário abrir o crânio, possui uma taxa de sucesso entre 40 e 60% e os resultados aparecem de forma significativa entre 12 a 18 meses. Quanto mais o tempo passa, melhor é o resultado desta cirurgia.

Neste procedimento, é implantado um pequeno eletrodo na região do pescoço, conectado a um gerador, um tipo de marca-passo, que fica no tórax e é regulado para enviar estímulos através do nervo vago até o cérebro, para inibir as crises convulsivas.

É uma cirurgia simples, e como não é necessária intervenção intracraniana, chama mais atenção dos pacientes. No entanto, deve ser realizada em centros especializados em cirurgia de epilepsia, por uma equipe qualificada, para apresentar os melhores resultados.

Tratamento neuromodulatório como alternativa nas cirurgias para epilepsia – Estimulação do nervo vago
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