Aproximadamente um terço de todos os aneurismas cerebrais se rompe durante a vida do paciente, resultando em uma hemorragia cerebral. Um estudo finlandês recente demonstra que, ao contrário do que se supunha anteriormente, o tamanho do aneurisma não tem impacto significativo no risco de ruptura. O número total de fatores de risco individuais é mais importante. Fumar, por exemplo, aumenta o risco de rupturas, particularmente em mulheres.

“O risco de vida para a ruptura de um aneurisma cerebral depende fortemente da carga global de fatores de risco do paciente. O estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Helsinque demonstrou que o tamanho de um aneurisma não tem grande importância no risco de ruptura. O número total de fatores de risco individuais é mais importante”, explica o neurocirurgião Victor Barboza.

Este é um estudo único na medida em que monitorizou os pacientes com aneurisma ao longo de toda a vida, enquanto os estudos de acompanhamento típicos duram apenas entre um e cinco anos. O estudo tem também um alcance excepcionalmente amplo; o outro lugar onde um estudo de âmbito semelhante foi realizado foi  no Japão.

As práticas de cuidados correntes baseiam-se largamente nos resultados de estudos anteriores, mais curtos. Tais estudos mostram que o tamanho do aneurisma é o fator mais significativo predizendo seu risco de ruptura. Consequentemente, aneurismas pequenos (<7mm) têm sido frequentemente deixados sem tratamento, mesmo que tais aneurismas também tenham sido conhecidos por se romper  e causar hemorragias cerebrais.

“O novo estudo estabeleceu que aproximadamente um terço de todos os aneurismas e até um quarto dos pequenos aneurismas irão se romper durante a vida do doente. O risco de ruptura é particularmente alto para as mulheres fumantes com aneurismas cerebrais de sete milímetros ou mais de diâmetro. O que mais surpreendeu os pesquisadores foi que o tamanho de um aneurisma tem pouco impacto sobre seu risco de ruptura, particularmente para os homens, apesar de uma correlação presumida anteriormente. Além disso, o risco de ruptura entre homens não fumantes é excepcionalmente baixo”, destaca o médico.

Isso não quer dizer que os aneurismas em homens não fumantes nunca se rompam, mas que o risco é muito menor do que pensávamos, o que significa que tratar um aneurisma que não se rompeu pode ser desnecessário se o paciente for um homem não fumante com pressão baixa.

Por que estudos anteriores não chegaram aos  mesmos resultados?

É difícil realizar pesquisas epidemiológicas confiáveis com aneurismas cerebrais. Nos últimos 10-15 anos temo visto uma distorção no campo devido a um grupo muito limitado de pesquisadores determinando a direção das pesquisas. Agora a situação está claramente mudando. Estudos baseados em dados de populações estão em alta novamente.

A Finlândia tem uma forte tradição de estudar a prevalência, fatores de risco e tratamentos de aneurismas cerebrais. O Hospital Central da Universidade de Helsinque é uma das principais unidades do mundo no tratamento de aneurismas cerebrais. Os estudos mais importantes sobre o tema são de pesquisadores finlandeses:  o maior estudo sobre hemorragias subaracnoides entre diabéticos; o estudo mais extenso sobre a expectativa de vida de sobreviventes de hemorragia subaracnoidea e um estudo sobre os fatores de risco para hemorragias subaracnoideas utilizando os dados populacionais mais extensos.

Um terço de todos os aneurismas cerebrais se rompem
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