Todos os medicamentos utilizados no tratamento da dor e da espasticidade, além do seu efeito benéfico (desejado) possuem um efeito colateral.

A resposta de cada pessoa ao medicamento é muito individual. Os efeitos benéficos podem ser muito bons e os efeitos colaterais mínimos, até mesmo imperceptíveis, que é o desejado quando se escolhe utilizar um medicamento.

Ou então pode acontecer o contrário: muito efeito colateral para pouco benefício. Nestes casos, o medicamento é retirado do tratamento.

Existe um terceiro grupo de pacientes, em que o efeito benéfico é muito bom, porém os efeitos colaterais impedem o seu uso. Para esses pacientes, são utilizadas estratégias que aumentam a disponibilidade da parte benéfica do medicamento, sem aumentar os efeitos colaterais. Como exemplo, temos os medicamentos transdérmicos (utilizados via adesivo), que vão para a corrente sanguínea diretamente pela pele.

A Neurocirurgia no tratamento da dor

Se mesmo com essas estratégias de se fazer a medicação “pular etapas” para atingir a corrente sanguínea, não for atingido o equilíbrio adequado entre efeito colateral e benefício, há uma possibilidade cirúrgica disponível: as bombas de infusão de fármaco intratecal. Popularmente, estes dispositivos são conhecidos como bomba de morfina ou bomba de baclofeno 1.

O procedimento, descrito em 1981 por Onofri, se baseia na seguinte lógica: as medicações injetadas na região intratecal (no líquor) atingem o seu alvo de forma mais direta, necessitando de uma dose menor do que a oral, para fazer o mesmo efeito.

Ou seja, uma medicação utilizada por via oral necessita de uma dose 100 vezes maior do que a mesma medicação quando utilizada por via intratecal, reduzindo assim os efeitos colaterais e mantendo o mesmo benefício.

Portanto, o critério para se utilizar uma bomba de morfina (para dor) ou uma bomba de baclofeno (para espasticidade) é que haja resposta benéfica com a medicação, mas não seja possível suportar o seu uso por outras vias.

Dúvidas sobre as bombas de infusão intratecal

Mas e se o paciente não conseguiu subir a dose por não suportar os efeitos colaterais?

Essa é uma situação comum. Portanto, para evitar que alguém que se beneficiaria da cirurgia de implante de bomba de infusão intratecal perca a oportunidade, é realizado um teste. Antes do implante definitivo, a medicação é injetada diretamente na coluna e observamos se há melhora. Caso o teste seja positivo, este paciente é um bom candidato à cirurgia.

Como a bomba é abastecida?

A bomba possui um reservatório de volume variável (depende do modelo escolhido). Esse reservatório se localiza logo abaixo da pele, não sendo necessária uma nova cirurgia para reabastecê-lo. Isso é feito com uma agulha, através da pele. O intervalo entre cada reabastecimento é variável, pode variar entre semanas até 3 meses, dependendo do uso.

Com o que a bomba pode ser abastecida?

Em teoria, diversas medicações podem ser utilizadas na bomba, dependendo do sintoma a ser tratado. Analgésicos nos pacientes com dor, relaxantes musculares nos casos de espasticidade e antieméticos para os pacientes que desenvolvem náuseas.

É comum os pacientes apresentarem mais de um sintoma, podendo-se combinar as medicações. Apesar dessas combinações possíveis, segundo o FDA, as medicações autorizadas para uso em bomba são: morfina, baclofeno, clonidina e ziconotide.

Quanto tempo dura a bomba?

Isso depende do modelo escolhido e do volume de medicação utilizado por dia.

Existem bombas a gás (um êmbolo de gás empurra a medicação com uma velocidade constante) e bombas eletrônicas.

As bombas eletrônicas possuem uma bateria, que normalmente é o limitante na sua vida útil. Normalmente duram entre 4-6 anos, dependendo do uso.

Já as bombas a gás possuem como limitante o número de picadas que são realizadas em sua membrana do depósito, para reabastecimento. Com o tempo, a membrana não retém mais o líquido em seu interior. Possuem uma vida útil entre 10 e 15 anos.

Após a cirurgia, a bomba vai limitar a minha vida?

Como a bomba fica embaixo da pele, não limitações como entrar na água ou caminhar. Apenas alguns cuidados a serem tomados, como:

  • Evitar impacto sobre o dispositivo, pois podem danificá-lo;
  • Exames de ressonância nuclear magnética podem descalibra-las;
  • Se for submetido à alguma cirurgia, cuidado com o bisturi elétrico;
  • Alguns detectores de metal podem detectá-la.

Normalmente, quando bem indicado, esse procedimento melhora as limitações, como a dor e a dificuldade de locomoção/autocuidado, resultando em melhora da qualidade de vida.

Referências:

1 – McRoberts PW, Pope J, Apostol C. Reinstituting the Bolus – New Reasoning for an Existing Technique. Pain Physician 2017

Saiba Mais Sobre a Bomba de Infusão Intratecal para Medicamentos
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