Você se lembra de quando começou a tomar a levodopa e sentia que o remédio durava mais tempo? Mas, com o passar dos anos, você toma o remédio e ele demora para fazer efeito, ou o efeito acaba muito antes da próxima dose, deixando você travado, lento e rígido. E a presença de movimentos involuntários completa este quadro conhecido como Flutuações Motoras da doença de Parkinson.
A Doença de Parkinson é progressiva, e chega um momento em que ajustar as doses e os horários dos comprimidos se torna uma grande dificuldade. A cirurgia de DBS pode ser a chave para estabilizar esse quadro.
Neste artigo, compreenda como a cirurgia atua para suavizar esses altos e baixos, reduzindo tanto os travamentos quanto os movimentos excessivos.
No início do Parkinson, seu cérebro ainda consegue armazenar melhor a dopamina que o remédio fornece, liberando-a aos poucos. É como uma bateria nova, que segura a carga por muito mais tempo e mantém os sintomas sob controle de forma bem mais estável.
Com o tempo, o cérebro perde essa capacidade de armazenamento. Você toma o remédio, a dopamina sobe rápido demais e depois cai bruscamente. Isso gera dois problemas principais:
É um dilema cruel: se toma pouco remédio, fica rígido (OFF). Se toma muito, apresenta movimentos involuntários (Discinesia). O período em que você se sente “normal” fica cada vez mais estreito.
O benefício da DBS para Flutuações Motoras é que ela muda a lógica do tratamento. Enquanto os remédios orais funcionam em pulsos (sobe e desce no sangue), a estimulação elétrica é constante e estável.
Nós implantamos eletrodos em regiões profundas do cérebro (geralmente o Núcleo Subtalâmico ou o Globo Pálido) que estão funcionando num ritmo caótico. O aparelho de DBS envia impulsos elétricos que regularizam esse ritmo. O resultado disso é que conseguimos:
Na prática clínica, o momento ideal para a cirurgia é o que chamamos de “janela de oportunidade”. Não devemos operar cedo demais (quando o remédio ainda funciona bem e dura bastante), mas também não podemos esperar tempo demais (quando o paciente já perdeu a autonomia ou tem problemas cognitivos graves).
Geralmente, o candidato ideal apresenta o seguinte perfil:
É compreensível que a ideia de operar o cérebro assusta. Mas viver contando os minutos para o próximo comprimido fazer efeito, também é assustador e desgastante. A DBS não é a cura da doença, mas ela é uma ferramenta muito útil que temos para devolver a qualidade de vida que você tinha anos atrás.
Se você sente que os ajustes de medicação chegaram no limite e que as flutuações motoras estão ditando as regras da sua vida, converse com um neurocirurgião funcional. Avaliar se você é um candidato à cirurgia pode ser o primeiro passo para você parar de viver em função da doença e voltar a viver em função dos seus sonhos.
Última data de revisão: s�bado, 14 de mar�o de 2026