DBS Para Flutuações Motoras No Parkinson

Flutuações Motoras No Parkinson
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Você se lembra de quando começou a tomar a levodopa e sentia que o remédio durava mais tempo? Mas, com o passar dos anos, você toma o remédio e ele demora para fazer efeito, ou o efeito acaba muito antes da próxima dose, deixando você travado, lento e rígido. E a presença de movimentos involuntários completa este quadro conhecido como Flutuações Motoras da doença de Parkinson.

A Doença de Parkinson é progressiva, e chega um momento em que ajustar as doses e os horários dos comprimidos se torna uma grande dificuldade. A cirurgia de DBS pode ser a chave para estabilizar esse quadro.

Neste artigo, compreenda como a cirurgia atua para suavizar esses altos e baixos, reduzindo tanto os travamentos quanto os movimentos excessivos.

Entendendo as Flutuações Motoras

No início do Parkinson, seu cérebro ainda consegue armazenar melhor a dopamina que o remédio fornece, liberando-a aos poucos. É como uma bateria nova, que segura a carga por muito mais tempo e mantém os sintomas sob controle de forma bem mais estável.

Com o tempo, o cérebro perde essa capacidade de armazenamento. Você toma o remédio, a dopamina sobe rápido demais e depois cai bruscamente. Isso gera dois problemas principais:

  • O Período “OFF” (Desligado): É quando a “bateria” acaba antes da hora. O remédio perde o efeito e os sintomas do Parkinson voltam com força total: tremor, rigidez, lentidão e dificuldade para caminhar. O paciente se sente “congelado”.
  • As Discinesias (Movimentos Involuntários): É quando a “bateria” carrega demais. Para tentar compensar o “OFF”, muitas vezes aumentamos a dose ou a frequência do remédio. O resultado é um pico de dopamina que causa movimentos descontrolados, parecidos com uma dança, que o paciente não consegue parar.

É um dilema cruel: se toma pouco remédio, fica rígido (OFF). Se toma muito, apresenta movimentos involuntários (Discinesia). O período em que você se sente “normal” fica cada vez mais estreito.

Como a DBS Pode Ajudar

O benefício da DBS para Flutuações Motoras é que ela muda a lógica do tratamento. Enquanto os remédios orais funcionam em pulsos (sobe e desce no sangue), a estimulação elétrica é constante e estável.

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Nós implantamos eletrodos em regiões profundas do cérebro (geralmente o Núcleo Subtalâmico ou o Globo Pálido) que estão funcionando num ritmo caótico. O aparelho de DBS envia impulsos elétricos que regularizam esse ritmo. O resultado disso é que conseguimos:

  • Reduzir o tempo ‘OFF’: Em muitos pacientes, conseguimos aumentar de forma significativa o tempo de dia produtivo, com boa mobilidade e menos rigidez, embora o número de horas de melhora varie de pessoa para pessoa.
  • Reduzir as Discinesias: Como a estimulação elétrica melhora os sintomas motores, nós conseguimos, na maioria das vezes, reduzir a dose dos remédios após a cirurgia. Tomando menos remédio, os picos de dopamina diminuem e, consequentemente, aqueles movimentos involuntários de ‘dança’ costumam reduzir bastante e, em muitos casos, ficam muito leves ou quase desaparecem.

Indicações da Cirurgia

Na prática clínica, o momento ideal para a cirurgia é o que chamamos de “janela de oportunidade”. Não devemos operar cedo demais (quando o remédio ainda funciona bem e dura bastante), mas também não podemos esperar tempo demais (quando o paciente já perdeu a autonomia ou tem problemas cognitivos graves).

Geralmente, o candidato ideal apresenta o seguinte perfil:

  • Tempo de Doença: Tem o diagnóstico de Parkinson há pelo menos 4 ou 5 anos.
  • Boa Resposta à Levodopa: Isso é fundamental. A cirurgia melhora o que o remédio melhora. Se você fica muito bem quando o remédio faz efeito, a chance de sucesso da DBS é altíssima.
  • Sofrimento com as flutuações: O paciente tem oscilações motoras que não conseguimos mais resolver apenas ajustando os horários dos comprimidos.
  • Cognição Preservada: O paciente não pode ter demência grave ou alterações psiquiátricas descontroladas, pois a cirurgia exige uma mente minimamente saudável para a reabilitação.

Retomando o Controle da Sua Vida

É compreensível que a ideia de operar o cérebro assusta. Mas viver contando os minutos para o próximo comprimido fazer efeito, também é assustador e desgastante. A DBS não é a cura da doença, mas ela é uma ferramenta muito útil que temos para devolver a qualidade de vida que você tinha anos atrás.

Se você sente que os ajustes de medicação chegaram no limite e que as flutuações motoras estão ditando as regras da sua vida, converse com um neurocirurgião funcional. Avaliar se você é um candidato à cirurgia pode ser o primeiro passo para você parar de viver em função da doença e voltar a viver em função dos seus sonhos.

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Última data de revisão: s�bado, 14 de mar�o de 2026