DBS Para Síndrome de Tourette: O que já Sabemos sobre esse Tratamento em Estudo

DBS Para Síndrome de Tourette
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A maioria dos pacientes com Síndrome de Tourette consegue gerenciar os tiques com medicação e terapia, levando uma vida plena. Porém, existe uma pequena parcela de pessoas que enfrenta uma forma muito severa da doença, onde os tiques chegam a causar lesões físicas, dores crônicas e um isolamento social devastador. É para esses casos extremos que a ciência tem investigado o uso da DBS para Síndrome de Tourette (Estimulação Cerebral Profunda).

Diferentemente do que acontece no Parkinson ou na Distonia, onde a cirurgia já é um tratamento estabelecido, para a Síndrome de Tourette, ainda estamos estudando seus efeitos e benefícios. Assim, para indicar o procedimento a um paciente, existe a necessidade de cumprir critérios rigorosos. Neste artigo, compreenda o estágio atual das pesquisas, o que dizem as diretrizes internacionais e se essa alternativa pode ser considerada para o seu caso ou de seu familiar.

Entendendo o Status Experimental da Cirurgia

A DBS para Síndrome de Tourette ainda não possui aprovação formal definitiva dos grandes órgãos reguladores (como a ANVISA no Brasil, a FDA nos EUA ou o CE Mark na Europa) especificamente para essa indicação. Nos Estados Unidos, existe uma permissão especial chamada HDE (Humanitarian Device Exemption), que autoriza o uso em contextos muito selecionados.

Na maior parte dos países, o uso é restrito a protocolos de pesquisa ou situações excepcionais (uso compassivo) em centros especializados.

Isso significa que a cirurgia é realizada apenas em centros especializados e com protocolos de pesquisa muito sérios. Apesar de não ser rotina, os dados são promissores:

  • Casos estudados: já existem mais de 300 casos documentados globalmente em literatura médica;
  • Resultados: observamos uma melhora média de 40% a 50% na gravidade dos tiques (medida por uma escala chamada YGTSS);
  • Os alvos: como o cérebro de quem tem Tourette é complexo, ainda estamos definindo qual é o “ponto exato” para colocar o eletrodo. Hoje, os alvos mais comuns variam entre o Globo Pálido (GPi), o Tálamo e o Núcleo Centromediano.

Esses números mostram que a cirurgia pode trazer benefícios importantes em casos selecionados, mas os resultados podem variar bastante de uma pessoa para outra.

As Diretrizes Internacionais

Para organizar esse cenário e proteger os pacientes, a Sociedade Europeia para o Estudo da Síndrome de Tourette (ESSTS) publicou diretrizes importantes em 2022. Segundo essas diretrizes, a cirurgia só deve ser considerada como uma opção se o paciente cumprir estes requisitos:

  • Refratariedade real: o paciente precisa ter tentado (e falhado) o tratamento com pelo menos 3 classes diferentes de medicamentos;
  • Terapia falha: é obrigatório ter tentado a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) focada em reversão de hábitos sem sucesso;
  • Avaliação multidisciplinar: não é uma decisão só do cirurgião. Uma equipe com psiquiatras, neurologistas e psicólogos precisa avaliar o caso.
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Além disso, há um esforço mundial para incluir esses pacientes em registros internacionais (como o IE-006 DBS Registry). O objetivo é coletar dados de cada cirurgia feita para, no futuro, conseguirmos a aprovação definitiva dessa terapia.

Critérios de Seleção

Na prática clínica atual, focamos em pacientes adultos ou jovens adultos (idealmente acima de 18 ou 21 anos). O motivo é simples: o cérebro da criança ainda está em desenvolvimento, e intervir cirurgicamente antes da maturação completa exige uma cautela extrema, sendo muito raro.

Além da idade, olhamos para:

  • Tiques incapacitantes: os movimentos ou sons precisam atrapalhar severamente a vida (impedir de trabalhar, causar autolesão ou dor intensa);
  • Comorbidades controladas: a Tourette raramente vem sozinha. Geralmente o paciente tem também TOC, TDAH ou depressão. Essas condições “vizinhas” precisam estar tratadas e estáveis antes de pensarmos em cirurgia.

Riscos na Prática Clínica

Também precisamos conversar abertamente sobre os riscos. Como qualquer cirurgia com implantes, existem chances de complicações que você precisa ter em mente:

  • Risco de infecção: gira em torno de 5% a 10%, exigindo retirada do aparelho em alguns casos;
  • Problemas no hardware: em cerca de 15% dos casos, pode haver quebra de fios ou problemas na bateria, exigindo reparos.

Perspectivas

Ler sobre “tratamento experimental” pode gerar um misto de medo e ansiedade. Mas estamos avançando para oferecer qualidade de vida mesmo para os casos onde a medicina tradicional encontrou obstáculos. A DBS tem se mostrado uma ferramenta valiosa para devolver a dignidade a pacientes que sofrem com formas severas de Tourette.

Se você sente que seu caso é grave e que os remédios já não ajudam, não perca a esperança. O caminho ideal é buscar um centro especializado em Neurocirurgia Funcional para uma conversa franca.

Avaliar se você se enquadra nesses critérios rigorosos é o primeiro passo. A medicina está ao seu lado nessa busca por dias mais tranquilos e com mais controle sobre o seu próprio corpo.

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Última data de revisão: quinta, 05 de mar�o de 2026