A maioria dos pacientes com Síndrome de Tourette consegue gerenciar os tiques com medicação e terapia, levando uma vida plena. Porém, existe uma pequena parcela de pessoas que enfrenta uma forma muito severa da doença, onde os tiques chegam a causar lesões físicas, dores crônicas e um isolamento social devastador. É para esses casos extremos que a ciência tem investigado o uso da DBS para Síndrome de Tourette (Estimulação Cerebral Profunda).
Diferentemente do que acontece no Parkinson ou na Distonia, onde a cirurgia já é um tratamento estabelecido, para a Síndrome de Tourette, ainda estamos estudando seus efeitos e benefícios. Assim, para indicar o procedimento a um paciente, existe a necessidade de cumprir critérios rigorosos. Neste artigo, compreenda o estágio atual das pesquisas, o que dizem as diretrizes internacionais e se essa alternativa pode ser considerada para o seu caso ou de seu familiar.
A DBS para Síndrome de Tourette ainda não possui aprovação formal definitiva dos grandes órgãos reguladores (como a ANVISA no Brasil, a FDA nos EUA ou o CE Mark na Europa) especificamente para essa indicação. Nos Estados Unidos, existe uma permissão especial chamada HDE (Humanitarian Device Exemption), que autoriza o uso em contextos muito selecionados.
Na maior parte dos países, o uso é restrito a protocolos de pesquisa ou situações excepcionais (uso compassivo) em centros especializados.
Isso significa que a cirurgia é realizada apenas em centros especializados e com protocolos de pesquisa muito sérios. Apesar de não ser rotina, os dados são promissores:
Esses números mostram que a cirurgia pode trazer benefícios importantes em casos selecionados, mas os resultados podem variar bastante de uma pessoa para outra.
Para organizar esse cenário e proteger os pacientes, a Sociedade Europeia para o Estudo da Síndrome de Tourette (ESSTS) publicou diretrizes importantes em 2022. Segundo essas diretrizes, a cirurgia só deve ser considerada como uma opção se o paciente cumprir estes requisitos:
Além disso, há um esforço mundial para incluir esses pacientes em registros internacionais (como o IE-006 DBS Registry). O objetivo é coletar dados de cada cirurgia feita para, no futuro, conseguirmos a aprovação definitiva dessa terapia.
Na prática clínica atual, focamos em pacientes adultos ou jovens adultos (idealmente acima de 18 ou 21 anos). O motivo é simples: o cérebro da criança ainda está em desenvolvimento, e intervir cirurgicamente antes da maturação completa exige uma cautela extrema, sendo muito raro.
Além da idade, olhamos para:
Também precisamos conversar abertamente sobre os riscos. Como qualquer cirurgia com implantes, existem chances de complicações que você precisa ter em mente:
Ler sobre “tratamento experimental” pode gerar um misto de medo e ansiedade. Mas estamos avançando para oferecer qualidade de vida mesmo para os casos onde a medicina tradicional encontrou obstáculos. A DBS tem se mostrado uma ferramenta valiosa para devolver a dignidade a pacientes que sofrem com formas severas de Tourette.
Se você sente que seu caso é grave e que os remédios já não ajudam, não perca a esperança. O caminho ideal é buscar um centro especializado em Neurocirurgia Funcional para uma conversa franca.
Avaliar se você se enquadra nesses critérios rigorosos é o primeiro passo. A medicina está ao seu lado nessa busca por dias mais tranquilos e com mais controle sobre o seu próprio corpo.
Última data de revisão: quinta, 05 de mar�o de 2026