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Presenciar alguém tendo uma crise epiléptica pode gerar medo e insegurança, especialmente se você nunca passou por essa situação antes. Saber como agir nesses momentos críticos não apenas protege quem está em crise, mas também traz tranquilidade para quem está ao redor.

Neste artigo, compreenda o que acontece durante as crises de epilepsia e aprenda os passos essenciais para oferecer ajuda segura e eficaz, sem colocar ninguém em risco.

Crises de Epilepsia: Entenda o Que Acontece no Cérebro

A epilepsia é uma condição neurológica que afeta milhões de pessoas globalmente, caracterizada por episódios recorrentes de atividade elétrica anormal no cérebro. Essas descargas elétricas desorganizadas interrompem temporariamente o funcionamento cerebral normal, provocando manifestações que variam desde breves desligamentos da consciência até convulsões intensas com movimentos involuntários do corpo.

Por Que Acontecem?

As crises ocorrem quando há uma perturbação súbita nos impulsos elétricos que os neurônios utilizam para se comunicar. Essa “tempestade elétrica” pode afetar uma região específica ou se espalhar por todo o cérebro, determinando o tipo e a intensidade da crise.

Mesmo em pessoas que já têm epilepsia diagnosticada, algumas situações podem aumentar a probabilidade de uma crise acontecer. Reconhecer esses gatilhos ajuda no controle da condição e na prevenção de novos episódios.

Os principais desencadeantes incluem:

  • Privação de sono;
  • Estresse emocional intenso;
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Uso de drogas ilícitas;
  • Febre alta (especialmente em crianças);
  • Luzes piscantes ou padrões visuais repetitivos;
  • Interrupção ou esquecimento da medicação antiepiléptica.

Cada pessoa pode ter seus próprios gatilhos específicos, e identificá-los faz parte do acompanhamento médico individualizado.

Como Identificar os Diferentes Tipos de Crises

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As crises de epilepsia não se manifestam sempre da mesma forma. Dependendo da área cerebral afetada e da extensão da atividade elétrica anormal, os sintomas podem ser bastante distintos. Conhecer essas diferenças ajuda a reconhecer rapidamente o que está acontecendo e a agir de forma apropriada.

Crises Generalizadas

Nas crises generalizadas, a atividade elétrica anormal afeta ambos os hemisférios cerebrais simultaneamente:

  • Crises tônico-clônicas: a pessoa perde a consciência abruptamente, o corpo fica rígido (fase tônica) e, em seguida, inicia movimentos convulsivos rítmicos (fase clônica). Pode haver mordedura da língua, salivação excessiva e perda do controle da bexiga;
  • Crises de ausência: a pessoa parece “desligar” por alguns segundos, com o olhar fixo e parado, sem responder quando chamada;
  • Crises atônicas: perda súbita do tônus muscular, fazendo a pessoa cair ou deixar a cabeça pender repentinamente;
  • Crises tônicas: rigidez muscular intensa que deixa o corpo, braços ou pernas endurecidos.

Crises Focais ou Parciais

Essas crises começam em uma área específica do cérebro e podem ou não afetar a consciência:

  • Crises focais com consciência preservada: a pessoa permanece acordada e pode descrever sensações estranhas, como formigamento, alterações visuais, auditivas ou olfativas, ou movimentos involuntários de uma parte do corpo;
  • Crises focais com alteração da consciência: a pessoa pode parecer acordada, mas não responde adequadamente ao ambiente. Pode realizar movimentos automáticos repetitivos, como mastigar, mexer nas roupas ou caminhar sem propósito, sem se lembrar depois do que aconteceu.

O Que Fazer Durante uma Crise de Epilepsia: Guia Prático

Manter a calma é o primeiro e mais importante passo. Lembre-se: a maioria das crises dura entre 1 e 3 minutos e termina espontaneamente, sem necessidade de intervenção médica imediata.

Medidas de Proteção Imediatas

Observe o ambiente ao redor e afaste objetos que possam causar ferimentos, como móveis com quinas, objetos cortantes ou pontiagudos. Se a pessoa estiver em pé, ajude-a a deitar-se suavemente no chão para evitar quedas. Coloque algo macio sob a cabeça dela – um casaco dobrado, uma almofada ou até mesmo suas mãos – para amortecer os movimentos e prevenir traumatismos cranianos.

Afrouxe roupas apertadas, especialmente ao redor do pescoço, como gravatas, colares, cachecóis ou botões de camisa. Isso facilita a respiração e evita desconforto adicional. Anote mentalmente o horário em que a crise começou, pois essa informação será importante caso seja necessário chamar ajuda médica.

O Que Você Nunca Deve Fazer

Existe uma série de mitos perigosos sobre o que fazer durante uma crise epiléptica:

  • Nunca tente colocar nada na boca da pessoa – nem água, nem remédios, nem objetos para “segurar a língua”. É fisicamente impossível engolir a própria língua, e tentar inserir algo na boca pode causar ferimentos graves nos dentes, gengivas ou mandíbula, além de obstruir as vias aéreas;
  • Não tente conter ou segurar os movimentos convulsivos. A força muscular durante uma crise é intensa, e tentar imobilizar a pessoa pode causar luxações, fraturas ou lesões musculares tanto nela quanto em você. Deixe os movimentos acontecerem naturalmente, apenas protegendo a cabeça e afastando objetos perigosos;
  • Não tente fazê-la “acordar” com água, tapas, chacoalhões ou gritos. Essas ações não interrompem a crise e podem causar aspiração de líquidos ou aumentar o risco de lesões.

Posicionamento Após a Crise

Quando os movimentos convulsivos cessarem, vire cuidadosamente a pessoa de lado. Essa posição mantém as vias aéreas abertas e permite que saliva, vômito ou qualquer secreção escorra para fora da boca, evitando asfixia. Dobre a perna de cima em ângulo reto para estabilizar o corpo nessa posição.

Permaneça ao lado da pessoa, falando calmamente e oferecendo apoio. Ela pode ficar confusa, desorientada ou sonolenta após a crise: isso é normal nesse período chamado pós-ictal (após a crise). Não a deixe sozinha até que esteja completamente alerta e orientada.

Quando Buscar Atendimento Médico de Emergência

Embora a maioria das crises termine sozinha sem complicações, algumas situações exigem assistência médica imediata. Reconhecer esses sinais pode salvar vidas.

Chame uma ambulância (192 ou 193) se a crise durar mais de 5 minutos sem sinais de que vai parar. Esse tempo prolongado caracteriza o chamado estado de mal epiléptico, uma emergência neurológica que requer tratamento hospitalar urgente. Também busque ajuda se a pessoa tiver uma segunda crise logo após a primeira, sem recuperar a consciência entre elas.

Protegendo com Conhecimento e Preparo

Saber como agir durante as crises de epilepsia transforma você em alguém capaz de oferecer segurança em momentos de vulnerabilidade.

Estes passos simples podem prevenir complicações graves e trazer tranquilidade tanto para quem tem epilepsia quanto para seus familiares e amigos.

Mais informações sobre este assunto na Internet:

Publicado: 12 de jul de 2024 / Atualizado: 21 de ago de 2026

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Última data de revisão: sexta, 21 de agosto de 2026